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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Experiência do Internato Rural Publicada em Periódico Científico

 

Acaba de ser publicada na revista científica Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 42, n. 1, p. 59-70, jan./jun. 2021 um relato do estágio rural com reflexões para educação médica. O texto na íntegra pode ser visualizado em http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/41087/28923



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Hospedagem para doutorandos da UCS



A Universidade de Caxias do Sul estabeleceu uma parceria com a Pousada Serrana para estadia dos doutorandos do Estágio Rural em Saúde da Família.






Detalhes sobre a pousada podem ser vistos no http://www.pousadaserrana.com.br/






Ela fica na rua Cel. Alfredo Steglich, 388 - Centro Nova Petrópolis/RS



Fone/Fax: (54) 3281-1687 E-mail: contato@pousadaserrana.com.br



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Relato da primeira doutoranda da UCS a estagiar no Tannenwald

A doutoranda Nathalie Belló passou 3 semanas estagiando na USF Pinhal Alto. Entre as atividades, gostaria de destacar:

  • Sutura de ferimento por motosserra;
  • Coleta de Citopatológico de colo útero;
  • Consulta pré-natal e puericultura;
  • Lavagem otológica;
  • Visita domiciliar em residência rural;
  • Seminário de Cultura e Saúde;
  • Revisão sobre interpretação de eletrocardiograma, entre outras.
Abaixo o relato dela sobre o estágio:

"O período em que fiz estágio no Pinhal Alto foi de grande contribuição para o meu crescimento, não só médico, como pessoal. Foi possível presenciar uma realidade muito diferente da minha, em uma comunidade de descendência alemã, onde muitas vezes a língua do país de origem é usada durante as consultas. Neste período pude reforçar na prática conceitos teóricos que tinha sobre Atenção Primária a Saúde e tive contato com as mais variadas patologias e acidentes de trabalho, que jamais poderia presenciar em um ambiente urbano. O conhecimento adquirido no local foi além da medicina, englobando as mais variadas situações, como intoxicação por agrotóxicos, acidentes de trabalho com foice (na agricultura), entre outros. Participei de visitas domiciliares, realizações de seminários, reuniões com agentes comunitárias, fazendo com que eu realmente me sentisse membro da Equipe de Saúde da Família. Outro aspecto que me chamou bastante a atenção foi o Programa de Plantas Medicinais, na qual os pacientes tem a opção de usar plantas medicinais em seu tratamento, indo ao encontro de seus conhecimentos tradicionais.A experiência que eu tive foi positiva, gostei muito de poder ver o paciente como um todo e poder conhecer seu contexto, a ponto que este estágio despertou em mim a vontade de me especializar em Medicina da Família." Dda Nathalie Belló (Universidade de Caxias do Sul)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Resumo de Trabalho Aprovado para Apresentação no X Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade

Estágio Rural Potencializa Interiorização do Médico de Família e Comunidade

Leonardo Vieira Targa - Médico de Família e Comunidade da SMS de Nova Petrópolis RS.
Fábio Schwalm – Residente em Medicina de Família e Comunidade do SSC-GHC
Martina Hoblik – Médica de Família e Comunidade da SMS de Nova Petrópolis RS

Introdução: O Brasil possui má distribuição de recursos humanos em saúde, inclusive na Estratégia Saúde da Família (ESF). Este é um problema nacional e reflexo de uma tendência mundial. Ter parte da formação em zona rural é um dos fatores que aumentam a probabilidade do profissional trabalhar posteriormente fora de grandes centros. Recentemente, um convênio entre a SMS de Nova Petrópolis (SMS-NP) e o Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição (SSC-GHC) proporciona estágio optativo para residentes em área rural. O residente tem a possibilidade de vivenciar a rotina de uma equipe e do planejamento de saúde rural. Este estudo avalia a percepção destes residentes e possíveis influências sobre futuras escolhas quanto ao local de trabalho.

Metodologia: Todos (n=18) estagiários que passaram pelo estágio (2 acadêmicos e 16 residentes) foram convidados a responder um questionário com três questões objetivas e duas subjetivas. Este foi auto-aplicado, via internet, e enviado para um residente, que garantiu o anonimato.

Resultados: Quinze estagiários responderam as questões. Dois procediam de áreas rurais, sete de urbanas de pequeno ou médio porte e seis de grandes áreas urbanas. 53,3% responderam que a chance de trabalhar em área rural ou município pequeno era ALTA antes de passar pelo estágio (n=8). O restante (46,6%) consideravam MÉDIA (n=04) ou BAIXA (n=03) esta possibilidade antes de entrar na residência. Após o estágio, esta possibilidade foi considerada ALTA por 86,6% dos participantes (n=13), sendo que o restante (13,3%) considerava essa probabilidade MÉDIA (n=1) ou BAIXA (n=1). Os argumentos apresentados que reforçariam uma esta escolha foram: condições de trabalho (apoio da gerência, estrutura física e humana, formas de contratação adequadas, salários dignos e rede de APS estruturada); proximidade de um grande centro (estrutura terciária, lazer, convívio com família); e, possibilidade de inserção profissional do cônjuge. 80% responderam que o estágio aumentou a chance de trabalhar em área rural ou pequena cidade, 13,3% responderam que ele não influenciou, pois esta já era uma possibilidade considerada previamente. Apenas um participante respondeu não ter sido influenciado pelo estágio tendo sua probabilidade de trabalhar nessas áreas permanecido baixa.

Conclusão: O Estágio Rural da SMS-NP e SSC-GHC tem apresentado boa avaliação. Esta forma de inserir o ensino rural durante a formação parece influenciar positivamente a chance dos residentes optarem por trabalho fora de grandes centros. Mais pesquisas precisam ser realizadas para avaliar os fatores que podem contribuir para uma melhor distribuição de profissionais para ESF.


sábado, 19 de setembro de 2009

Atividades Extra-Oficiais do Estágio Rural

Além das atividades oficiais (ver postagem anterior), o residente que realiza o Estágio Rural em Nova Petrópolis tem oportunidade de realizar vivências em aspectos da vida rural.

São atividades completamente voluntárias, sem um planejamento fixo, que são possibilitadas pelo fato de que meu local de moradia fica na zona rural, muito próximo ao local de trabalho.

Estas atividades ajudam, a partir de uma idéia de aprendizado vivido (corporalmente), a entender melhor a vida das pessoas que ajudamos a cuidar da saúde e, evidentemente, seu processo de saúde-doença.

Algumas atividades realizadas foram (infelizmente não registramos todas!):
  • Fazer pasto para animais;
  • Rachar lenha;
  • Conduzir animais a pastagens;
  • Curar miíase (berne) de animais;

Mas nem tudo é trabalho duro !...

Pelo mesmo princípio teórico somos obrigados a nos propor uma profunda inserção nos hábitos alimentares locais:


Atividades Oficiais do Estágio Rural




O médico residente que realiza o Estágio Rural tem possibilidade de participar de várias atividades que contribuem para sua formação.

Algumas da atividades oficiais (ver atividades não -oficiais em outra postagem) são:

  • participar de seminários de estudo de temas relevantes à medicina rural como, por exemplo:
    • acidentes com animais peçonhentos, animais de criação e silvestres;
    • intoxicação por agrotóxicos;
    • acidentes com plantas venenosas;
    • antropologia médica;
    • saúde ocupacional do trabalhador rural;
    • doenças infecciosas específicas ou mais comuns em áreas rurais;
    • características da prática médica rural x urbana;
    • variações no planejamento em saúde entre áreas rurais x urbanas.
  • experimentar como é ser médico de uma equipe de saúde da família, em zona rural, em município de pequeno porte; as relações entre uma unidade com estas características e o restante do sistema de saúde, tanto em nível municipal como com rede regional;

  • participar de atividades comunitárias com uma comunidade rural;

  • ter uma aproximação com sistemas tradicionais de saúde;

  • acompanhar e/ou praticar sob supervisão:
- atendimentos médicos, -
- atenção domiciliar;
- atividades em grupo;
- atividades em escolas, creches e locais de trabalho;
- planejamento;
- diagnóstico de comunidade;
- atividades de territorialização;
- trabalho em equipe, com agentes comunitários de saúde, etc.

sábado, 18 de abril de 2009

Hospedagem


Após muitos meses de gentil hospedagem gratuita, a Hospedaria Bom Pastor comunica que, a partir do mês de abril de 2009, cobrará uma pequena taxa para os estagiários.

Os valores, que já seriam baixos pelo fato da hospedaria fazer parte da rede Hostels de albergues da juventude, ainda serão acrescidos de um desconto especial para os estagiários.


Há ainda outras várias opções de hospedagem na cidade e interior, sendo bastante conhecida a estrutura para receber turistas da serra gaúcha, onde nossa cidade está situada.

Em situações especiais, podemos negociar outras opções. Voltamos a lembrar da necessidade de reserva com um mínimo de 20 dias de antescedência! Quanto antes for feito o pedido de estágio, mais chance de conseguir vaga, principalmente no segundo semestre onde há mais dificuldade.

domingo, 9 de novembro de 2008

Estágio Rural em Saúde da Família - Iniciando


Este é um texto inicial, ideal para quem quer ter uma idéia geral do que é o estágio rural e foi parcialmente baseado em um questionário solicitado pelo Grupo Hospitalar Conceição.

A foto ao lado foi tirada pelo Pablo, residente estagiário, em frente ao posto de saúde em setembro de 2008.

O estágio iniciou no final de 2007, com duas estudantes de medicina da UCS. Atividades de pesquisa e educação em saúde também foram desenvolvidas em parceria com estas e outras estudantes desta instituição.
Uma feira de saúde foi montada no mesmo ano em parceria com a FFFCMPA.
De janeiro a novembro de 2008, sete residentes de medicina de família e comunidade do SSC-GHC realizaram estágio nesta comunidade rural.

A idéia em linhas gerais:

A proveniência de muitos profissionais (classe social média e alta e urbana) e a própria formação centralizada desde o início até a pós-graduação em grandes centros, associada a uma política não bem definida de estímulo à interiorização dos profissionais gera distorções para o sistema de saúde. A própria prática cotidiana destes é impactada no sentido de criar uma dependência (mais ou menos real ou psicológica) das tecnologias e recursos humanos que se concentram nestes locais. Isso acaba por gerar um ciclo vicioso. Uma das formas de reverter este processo, e que vem sendo experimentada em vários países, inclusive o nosso, é o de interiorização do estudante ou profissional em especialização. A aproximação com a realidade de uma zona rural, além disso, oferece atrativos de aprendizado de APS particulares como territorialização e atenção domiciliar em meio rural, competência cultural, contato com perfis epidemiológicos diversos dos grandes centros, etc. A desmistificação de zona rural como local tradicionalmente pobre em recursos e limitado para a atuação de profissionais e o potencial efeito social que apresenta o deslocamento de residentes para estes locais também deve ser levado em conta. A relação médico-paciente, o trabalho em equipe, os aspectos de APS (longitudinalidade, acesso, integralidade...) também assumem características próprias. O eventual contato com patologias típicas rurais também pode ser destacado como enriquecedor para a formação médica (chifradas, intoxicação por agrotóxicos, ferimentos com moto-serra, picadas de aranhas, cobras, etc.).

O local e algumas características do trabalho -

A região é caracterizada por descendentes de imigrantes alemães, predominantemente agrícola em pequenas propriedades familiares, clima frio. Há também pequenos ateliês de calçados, malharias e uma fundição. São desenvolvidos anualmente, além da atenção individual e domiciliar, trabalho com grupos, nas escolas, nas fábricas.
Vários projetos estão em andamento e que podem receber contribuição do estudante, se interessado: uso de plantas medicinais na rede de APS, avaliação do sistema de saúde como forma de auxiliar o planejamento, educação permanente interdisciplinar, protocolo de problemas relacionados ao uso de bebidas alcoólicas.
Poderá haver também contato com estudantes da graduação que fazem estágio na unidade conforme a época do ano. O trabalho é todo realizado em equipe, dentro da proposta de Estratégia de Saúde da Família e contando com Agentes Comunitários de Saúde (ACS) como parte integrante e ativa.

Recursos físicos e humanos da ESF

As unidades interessadas têm ótima estrutura física, com consultório completo para atendimento, sala de procedimentos (inclusive cirurgia ambulatorial), sala de grupos, sala de estudos e de reuniões, computador.
As equipes fixas são compostas de MFC, enfermeira, técnicos e auxiliares de enfermagem, ACS e odontólogo. Há apoio matricial de nutricionista e psicóloga. Há fácil acesso a pediatra, gineco e cirurgião. Há outras especialidades na cidade, todas com diálogo fácil caso necessário. Há excelente relacionamento com o Centro de Atenção Psicosocial (CAPS).

Atividades poderão desenvolver os residentes

Todas realizadas pelas equipes, pesquisa e projetos de extensão conforme interesse e disponibilidade no momento do estágio.

Supervisão para estas atividades

Sou médico de família e comunidade (GHC 2000-2001). Conforme desenvolvimento de atividades extra, analisa-se supervisão adicional. Sou professor de APS da UCS (atualmente afastado para mestrado em Antropologia Social da UFRGS) e já fui professor substituto de medicina preventiva da FFFCMPA e preceptor da residência interdisciplinar do Murialdo (Morro da Cruz). Como área de interesse possível para os residentes, tenho alguma experiência em saúde indígena (Acre e MT/Xingu).
Outros médicos de família e comunidade (todos ex-residentes do GHC), bem como outros profissionais de saúde, estão de alguma forma envolvidos com a supervisão do estágio. Esta pode ocorrer na forma de acompanhamento de outras equipes, atividades pontuais em outros pontos do sistema de saúde (como CAPS, secretaria de saúde, etc.) ou nas reuniões de planejamento municipais.

Possibilidade de atividades teórico-reflexivas

Tradicionalmente os estudantes que fazem estágio neste local são responsáveis pela participação e elaboração de seminários sobre assuntos pertinentes, a ser decididos participativamente. Alguns exemplos de seminário já desenvolvidos: screening em APS, HAS, características de APS rural, antropologia médica, intoxicação por agrotóxicos, acidentes com animais peçonhentos, etc... Além disso, procura-se adotar postura crítica de construção conjunta de conhecimento no dia-a-dia do estágio. A critério do estagiário, pode-se esboçar projetos de pesquisa.

Carga horária dos residentes

A mesma dos profissionais da unidade (8 h), a ser divididos nas atividades. Inclui-se nesta carga horária, tempo de estudo, transporte e preparo de seminários e projetos de pesquisa que venham a ser elaborados. As unidades funcionam das 7h30m às 11h30min e das 13 às 17h.
Tempo mínimo de estágio

Creio que para um bom aproveitamento, deve ser de no mínimo 3 semanas. Idealmente, de um mês.

Número de estagiários que podem estagiar simultaneamente

Depende se houver ou não outros estudantes (graduação inclusive). Mais do que dois estagiários por mês prejudicará o andamento das atividades.
Condições de hospedagem dos residentes

Há albergue confortável oferecido pelo município perto do local das unidades, na própria zona rural entre Gramado e Nova Petrópolis (Fica dentro da área de uma escola). Neste local há refeições gratuitas em tempo de cursos que utilizam a mesma estrutura. Os quartos são com banheiro. Há uma TV em sala comum e estacionamento não coberto. Eventuais gastos em refeições podem ocorrer em épocas em que não houver cursos, pois a cozinha fecha. As vagas são mais facilmente reservadas no primeiro semestre, quando o movimento do albergue é baixo. Deve-se verificar com antecedência a disponibilidade de vagas. Alguns estagiários optaram por alugar quarto na cidade durante o tempo de estágio.